quinta-feira, 18 de março de 2010

Astor Piazzolla e as Texturas

Se estivesse vivo Piazzolla seria um senhor de 89 anos. Com certeza estaria tocando! Até pouco tempo atrás eu imaginava que músicos como Rostropovich, Menuhin, Grapelli, entre outros, tivessem vida eterna pois praticamente morreram tocando... De fato possuem sim, no legado musical...

Me lembrei de Piazzolla pois o Quarteto Itamaraty incorporou em seu repertório o Tango-Ballet, uma de suas primeiras peças influenciadas por Nadia Boulanger, com quem estudou na França. Essa influência acabou trazendo o tango para uma classificação bem próxima ao gênero popular mas com vários elementos da música dita erudita, o que enfureceu os "milongueiros" mais tradicionais. Diziam que o que Piazzolla fazia era qualquer coisa, menos tango. Ele rebatia: "Eu toco a música de Buenos Aires e a música de Buenos Aires é o tango!"

Pois bem, resolvi ouvir algo dele, a título de pesquisa, para ver (e ouvir) se não teria algo que poderia contribuir na nossa interpretação e me deparo com essa grande obra: "La Muerte del Angel"
Tem várias músicas que se pode trabalhar a questão da textura para leigos, entretanto, a produção de músicas polifônicas no século XX e XXI é praticamente nula se considerar todo o mercado fonográfico. Mas, como o filho de "Nonino" trabalhou com vertentes eruditas em sua música, sua produção tem muita coisa polifônica, como exemplo, Fuga y Misterio. Observe a desenvoltura de Piazzola em "Muerte del Angel"



Updated in 03/05/2011: O usuário retirou o vídeo original do YouTube então coloquei outro com as "correções" nos segundos abaixo...

0:04 - Violino começa sozinho com uma base rítmica até simplificada;
0:15 - Bandoneon (parecido com o acordeão) trabalha com a mesma ideia musical que o violino apresentou. Chamamos isso de sujeito. O que o violino está fazendo chama-se contra-sujeito;
0:25 - A guitarra também apresenta o sujeito, portanto, o bandoneon faz o contra-sujeito. Não é idêntico ao do violino mas é bem semelhante;
0:35 - Até lembrando o concerto pra 2 violinos, de J.S. Bach pois o sujeito apresentado no grave é trabalhado com mais instrumentos, no caso, contrabaixo, piano e até mesmo o violino volta ao sujeito para reforçar ainda mais;
0:42 - Uma passagem em forma de ponte para a transição da textura polifônica para a homofônica, ou seja, alguns instrumentos vão servir de base para outros;
0:49 - A homofonia é finalmente instalada. Violino e bandoneon são os responsáveis pela melodia. Observe que os outros instrumentos praticamente se recolhem para sar "espaço" aos solistas;
1:20 - A movimentação da música é interrompida. Apenas o bandoneon, de uma forma mais livre, trabalha a melodia;
1:49 - O violino passa a fazer parte do "bolo" realçando a performance do bandoneon;
2:12 - Acontece a reexpoisção, ou seja, ele volta ao tema do mesmo local onde a homofonia apareceu pela primeira vez.

Em termos de texturas não há mais mudanças mas existem outras nuâncias do ponto de vista tímbrico e harmônico, com algumas modulações, etc... Quem sabe não falo desses outros elementos depois?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Supertônica - 2ª Etapa 2/2009 - PAS/UnB

- Cantata BWV140 (Wachet auf, ruft uns die Stimme) [Sleepers Awake], J.S. Bach;
- Missa de Réquiem (KV 626), W.A. Mozart;
- Missa de Réquiem (CPM 185), PE. J. M. Nunes Garcia;
- Carnaval dos Animais, C. Saint-Saëns;
- Disseram que Voltei Americanizada, de Luiz Peixoto e Vicente Paiva, cantada por Carmen Miranda.
- Subida do Morro, Moreira da Silva;
- I Dreamed a Dream, do musical “Os Miseráveis” tal como interpretada por Susan Boyle.
- Billie Jean, Michael Jackson;
- Quereres, Caetano Veloso;
- Fado Tropical, Chico Buarque;
- Matança, Jatobá e Xangai;
- Feira de Magaio, Sivuca.
- Para Ti ponta Porá, Dino Rocha
- Forró Classudo, Toninho Ferragutti
- Milongas para as Missões, Gilberto Monteiro;
- Você Não Soube Me Amar, Blitz;
- Rock das Cachorras, Léo Jayme;
- Aboio, Tema de Abertura de “O Auto da Compadecida”
- Kaiowas, Sepultura

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Focado no PAS/UnB

Então!!!

Por motivos plausíveis, que posso falar em breve, este blog ficou de lado de novo. Simplesmente não sobrava tempo. Era impossível manter o blog!

Mas, como quando o ano vira, algumas coisa na vida também viram, declaro aberto um novo momento deste blog. Ainda mais que hoje fiz um levantamento das obras do PAS/UnB da 2ª Etapa e confesso que fiquei muito empolgado.

Pra mim foi uma surpresa, pois sempre gosto de ver o "passo-a-passo" de todo processo mas, sem querer ser repetitivo, em 2009 simplesmente não deu!!! E pensar que perdi o melhor da festa rsrsrs...

Qual foi a surpresa? A merece um tópico especial para isso!! Já posso adiantar que tem música pra caramba - excelente variadade, diga-se de passagem - e que algumas coisas serão até um desafio encontrar em tempo hábil, mas adoro desafios...

O pessoal interessado na 2ªEtapa que se prepare... Os demais continuo com o suporte mas, confesso: Estou realmente surpreso com o que li - nem li de verdade ainda, só passei o olho.

Que os anjos digam: Amém!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Menos Um de Nós - Jabez de Oliveira


Eu estava viajando para Cabo Frio-RJ e recebi a notícia de que Jabez de Oliveira, violoncelista da OSTNCS, havia falecido num acidente entre Goiânia e Brasília embora alguns jornais noticiem que fora em Formosa, enfim, ainda não sei precisar.

É muito esquisito quando você recebe uma notícia dessas... Primeiro porque eu sempre esbarrava com ele nas minhas rápidas passadas na UnB onde ele lecionava.

Ele era um cara que gostava de viajar. Os pais moram em Goiânia e ele morava em Brasília... E o mais esquisito é que a última vez que o vi foi em Pirenópolis-GO. Dessa vez ele não foi tocar mas apenas acompanhar a Valéria, sua esposa, que também toca na Orquestra Filarmônica de Brasília. Eles foram na frente e resolveram aproveitar o feriadão junto com o filho...

Apesar da formação erudita também atuava na música popular:




Mais uma perda... Menos um de nós...



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Rossini: O Gênio Que Se Atrapalhava...

Ao olhar o twitter do meu irmão @danguitar vi que ele achou Duetto Buffo Di Due Gatti (que, em uma tradução livre seria Dueto Cômico Para Dois Gatos). Acho que sei porque ele achou isso: já faz algum tempo que ele tem me pedido para arrumar uns exemplos de música Renascentista e Barroca, e, isso na verdade, vai gerar um post pra cada. Aguardemmmmm... Preciso de mais inspiração rsrs

Bom, espero que ele tenha apenas esbarrado nesse vídeo pois o Rossini viveu no período transitório entre o classicismo e o romantismo, ou seja, muito depois... É certo que sua orquestração tinha claras influências de Mozart, mas, trechos como a "Tempestade", de "O Barbeiro de Sevilha", o traz para o Romantismo. Por um ato parecido, cerca de cem anos depois, nosso Carlos Gomes seria estraçalhado pela crítica com a "Aurora Luminosa".



Justamente sua mais conhecida obra, "O Barbeiro de Sevilha" foi composta em 12 dias. Sim! Uma ópera em 12 dias. Na verdade ele era brasileiro: que deixa tudo pra última hora (brincadeira rsrs).

Dizem que ele era meio picareta. Encomendavam uma ópera pra ele e davam um tempo. Ele nem lembrava da encomenda e os patrocinadores perguntavam: 

- E aí, Rossini?! Como está indo a ópera?

- Está indo bem! - mas ele nem sabia sequer o tema que iria usar. De repente sentava e "fazia" a coisa!

Daí os contratantes e músicos iam ficando desesperados pois chegava a época dos ensaios e as partes não estavam prontas. Alguns músicos já brigavam: "Esse maluco vai escrever uns negócios difíceis e vamos ter de nos virar pra tocar à primeira vista de novo?" - Sim! isso já era um hábito. 

Aliás, ele sempre inventava "modas" de última hora pra poder compensar essa sua assumida deficiência de cumprir prazo, então, pegavam todos de surpresa com suas ideias esquisitas. Sempre sobrava para os músicos!!!

Sobrava pois, um peça como esta, a dos dois gatos, é preciso muito domínio pra não se descambar a rir na performance. Ele adorava por os músicos na fogueira. Essa aí não e diferente... 

Os dirigentes e músicos detestavam mas a platéia adorava. Realmente ele conseguia "fazer graça" como poucos.

Até que um dia se cansaram disso! Nunca mais deram uma chance e ele resolveu se dedicar a um ofício em que o poder de improvisação é, digamos, benvindo: a culinária...

A partitura tá aqui...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Prof. Bobby McFerrin!

Eu queria um professor desses!!!

Como demonstrar que todos possuem musicalidade e entendem uma escala pentatônica? Com uma didática invejável:

World Science Festival 2009: Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale from World Science Festival on Vimeo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Barrichello, Massa e a Mola...

Impressionante o que tenho ouvido falar sobre o acidente do Massa. Que foi um grave acidente ninguém duvida, entretanto, parece ser esse o único ponto pacífico nessa situação.

Tenho ouvido tanta coisa... Tal como: "Não basta o Barrichello ser azarado por ele agora ele é azarado pelos outros!" - Essa afirmação, neste mesmo incidente já não tem sustentação alguma. Pelo menos pelo incidente em si Barrichello é uma cara de muita sorte!!!

Por quê? Ah! Achei que não iam perguntar...

Ainda bem que essa peça se soltou em uma curva de média velocidade bem próximo aos boxes, aliás, ele percebeu na hora que havia algo de errado com o carro. Primeiro ponto: carros quebram; segundo ponto: carros de corrida quebram mais ainda pelo esforço estrutural ao qual são submetidos; terceiro ponto: imaginem isso num Parabólica, na "finada" Peraltada, na Eau Rouge? Pela peça em si ele corria mais risco que qualquer um, risco de se estampar num muro, risco de capotar por cima do guard-rail (algumas mortes no automobilismo acontece assim), etc...

"Mas ele até chorou durante a transmissão! Ele tem culpa!" - Bom! Peças e objetos irem de encontro ao capacete é mais normal do que se pensa. Sem contar que ele nem apertou e muito menos colocou a peça, pelo contrário, ele corria o risco de perda de controle do bólido. O que ele sentiu foi uma coisa muito próxima que eu senti quando um amigo meu foi acidentado bem à minha frente quebrando uma das costelas (guardadas as devidas proporções, lógico)... Certamente ele não sentiu o que o Ickx sentiu no acidente com o Bellof (esse sim quase enlouqueceu e ainda assim também foi uma situação de corrida) mas ficou emocionado porque é um amigo dele. Simples!

"Mas então o Massa que é azarado!" - Existe um ditado muito comum nos autódromos e kartódromos: "Não existem prêmios ou punições. Existem consequências." E a sucessão dos fatos resultaram essa consequência. Como já dito peças podem ser atiradas com o bólido em movimento. Frequentemente vou aos kartódromos amadores e vejo as pessoas andando de viseira abertas. Não sabem o risco que correm!

Até quando você vai tirar carteira de moto se aprende isso: Viseira é fechada! Isso porque existem moscas, pedras e etc. Aliás, tenho um primo que teve um problema sério num olho por conta de uma mosca (isso mesmo!) enquanto andava de moto com viseira e tudo... Mas isso tudo é detalhe nesse assunto.


A foto é do meu capacete e a marca foi de uma borracha que veio de encontro à minha cabeça a cerca de 90km/h no kartódromo do Guará. 

Quando alguém usa compostos mais duros e, por acaso, pega aquela borracha acumulada ao lado do traçado, depois, em uma velocidade superior, quase sempre nas retas, esse "graining" não fica no pneu. Ele é "expulso" pela força centrífuga do pneu. O barulho dentro do capacete é de assustar. Imaginem isso direto no rosto? Imaginem agora uma coisa que pesa 800g com o triplo da velocidade...

O capacete do Felipe é um Schuberth. Dispensa apresentações, vocês já devem ter ouvido falar muito sobre ele nos noticiários. Não será exagero ou sensacionalismo algum se eles algum dia afirmarem que o capacete salvou a vida do Massa pois é verdade. Mas, mesmo assim, se fosse mais uns 5 cm ao centro do capacete muito provavelmente estaríamos vendo o funeral dele no YT! Sobre esse escopo pergunto: O cara é mesmo azarado???

"Não tinha caixa-de-brita que reduziria o impacto!" Retruco: Quantos pilotos perderam o controle nessa curva e conseguiram controlar os carros pela nova área de escape (e todos eles preferem assim mesmo, como está)?

"Então é negligência da FIA. Deviam colocar um "canopy", igual a dos caças!" - Concordo que o que aconteceu à Massa e Surtees foram muito próximos e graves mas, pensem, no mesmo fim de semana, se o Tony Kanaan estivesse num "canopy"? Se tentar "salvar" de um jeito o outro lado pega... Talvez seja melhor campeonatos virtuais, quem sabe?? Acho que o monoposto aberto é muito melhor para resgates e na fuga por iniciativa do próprio piloto. Perguntem isso ao Tony...

Resumo: Infelizmente aconteceu. Culpados? Tavlez ninguém e talvez todos como eu, que assisto e sou fã pelo esporte. A FIA eos campeonatos tentam ao máximo zelar pela segurança mas, chegar aos 100% é muito difícil.

FORZA, MASSA!
ESPERO QUE VOLTE, E VOLTE BEM!